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terça-feira, 30 de outubro de 2012

A sabedoria dos canibais

Em 1582, Nicolas Durand de Villegagnon, o líder da expedição naval que tentou fundar no Brasil a França Antártica, levou três caciques tupinambás à corte do rei Carlos IX. Montaigne estava presente e a visita originou o ensaio Dos em ritual de antropofagia retratado por Thodore de Bry: Montaigne desafia o senso comum.Canibais. Em vez de manifestar horror aos costumes dos indígenas, o que seria esperado de um intelectual católico, o pensador comparou-os aos europeus e concluiu que os supostos selvagens lhes são superiores graças à coerência com a própria cultura, à dignidade e ao senso de beleza. Os verdadeiros selvagens, segundo ele, eram os europeus, que estavam promovendo banhos de sangue não só em suas conquistas na América como nas guerras religiosas. Sobre o encontro com os tupinambás, Montaigne narra duas observações feitas pelos índios, uma sobre a estranheza que lhes causava o fato de tantos homens adultos, barbudos e armados se submeterem à autoridade de uma criança (o monarca tinha então 12 anos) e outra a respeito de ter-lhes chamado a atenção de algumas pessoas na França eram visivelmente bem alimentadas, enquanto outras mendigavam na porta das igrejas. Diz o escritor que os visitantes perguntavam como os miseráveis “podiam suportar tal injustiça sem agarrar os outros pelo pescoço ou atear fogo em suas casas”.
Fonte: Revista Nova Escola – 09/2006

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ADEUS MESTRE . . . BOA VIAGEM . . .

Claude Lévi-Strauss (28/11/1908 - 30/10/2009), considerado um dos maiores nomes da Antropologia, Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas. Estudou na Universidade de Paris, licenciando-se em Filosofia e Direito.

Em 1934, foi convidado a lecionar Sociologia no Brasil, na recém-criada Universidade de São Paulo (USP), onde permaneceu até 1937. Durante esse período, estudou grupos indígenas no Brasil central, observando de perto seus costumes e outras manifestações culturais. Dois anos depois, publicou seu primeiro trabalho de natureza antropológica: um artigo sobre a organização social dos índios Bororo. Após deixar a Universidade de São Paulo, obteve do governo francês financiamento para uma nova expedição ao interior do Brasil (1938-1939).

Em 1968, foi agraciado com a medalha de ouro do Centro Nacional de Pesquisa Científica, a mais alta distinção científica da França.

Lévi-Strauss instituiu o método estruturalista em Antropologia. Com esse instrumento de análise, ele procura descobrir as relações mais profundas entre os elementos da cultura, ou seja, desvendar as estruturas que sustentam os valores e costumes de uma sociedade, comunidade ou grupo social e que explicam as semelhanças e diferenças entre as culturas.

Os trabalhos de Lévi-Strauss entre os indígenas brasileiros resultaram no livro Tristes Trópicos, onde o autor resume o que observou em seus estudos pelo interior do Brasil.

Entre as suas obras, destacam-se: Estruturas elementares do parentesco (1949), Tristes Trópicos (1955), Antropologia estrutural (1958) e O pensamento selvagem (1962).

domingo, 19 de abril de 2009

19 DE ABRIL DIA DO ÍNDIO

Uma informação sobre esta data que eu encontrei no site do IBGE:

A
música de Jorge Benjor diz que "todo dia era dia de índio", lembrando que os índios que viviam no Brasil eram donos da terra quando ele foi descoberto. Mas em outra estrofe, Benjor lembra que "agora ele só tem o dia 19 de abril".


Em 1940, no México, foi realizado o I Congresso Indigenista Interamericano, com a presença de diversos países da América e os índios, tema central do evento, também foram convidados. Como estavam habituados a perseguições e outros tipos de desrespeito, preferiram manter-se afastados e não aceitaram o convite. Dias depois, após refletirem sobre a importância do Congresso na luta pela garantia de seus direitos, os índios decidiram comparecer. Essa data, 19 de abril, por sua importância histórica, passou a ser o Dia do Índio, em todo o continente americano.

No Brasil, o então presidente Getúlio Vargas assinou o decreto nº 5.540, em 1943, determinando que o Brasil, a exemplo dos outros países da América, comemorasse o Dia do Índio em 19 de abril.

Este dia não foi lembrado nos programas de domingo da televisão, mas eu lembrei! Parabéns bravos guerreiros!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

OS MAORIS



O significado da palavra MAORI originalmente quer dizer local ou original, ou ainda quem nasceu no lugar, enquanto Pakeha quer dizer quem veio de fora. Com o tempo, passou-se a designar oficialmente Maori como adjetivo, e assim e conhecido hoje a população original da Nova Zelândia. O povo Maori teve uma grande diferença de outros povos colonizados no passado, como o Índio Brasileiro ou o Aborígene Australiano. Esses foram massacrados e obrigados a seguir as regras dos colonizadores. No caso Maori, não houve colonização passiva, pois eles respondiam a qualquer invasão com extrema resistência, travando inúmeras sangrentas batalhas na Nova Zelândia, que muitas vezes levaram o inimigo a fugir. Por isso não houve colonização, mas sim um acordo através do Tratado de Waitangi, no qual ambos tiveram vantagens, tanto o colonizador quanto o colonizado. A Nova Zelândia foi um dos últimos lugares da Terra a serem descobertos e colonizados. Provas arqueológicas e lingüísticas sugerem que provavelmente ondas de migrações vieram do leste da Polinésia para a Nova Zelândia entre 1300 e 800 a.C. A tradição oral maori, descreve a chegada de antepassados provenientes de Hawaiki (um lugar lendário na parte tropical da Polinésia) por grandes canoas que cruzavam os oceanos (wakas). Não existe nenhuma prova de assentamento humano na Nova Zelândia antes dos viajantes maoris; por outro lado, evidências fortes da arqueologia, lingüística e antropologia física indicam que os primeiros povoadores vieram do leste da Polinésia e se tornaram os maoris.


Na Nova Zelândia há uma riqueza enorme quanto à tatuagem. O povo Maori tem uma tatuagem muito impressionante que é a facial: a tatuagem "moko". Para muitas culturas a mão, o rosto e o pescoço estão fora da pintura corporal. Para os maoris, o homem cobre todo o rosto quanto mais nobre ele é. A tatuagem tinha uma coisa distintiva de status dentro da tribo, ou do clã. A posição social é dada pela tatuagem também. Quando eles entravam em guerra, cortavam a cabeça do inimigo e colocavam-na em urnas sagradas. No século 19, as cabeças tatuadas dos guerreiros maoris se tornaram objetos cobiçados por colecionadores europeus. Começou, então, o tráfico dessas cabeças, os próprios maoris passaram a trocá-las por armas de fogo. Era uma história assustadora e triste, pois eles tatuavam para matar e vender.


Continuando o assunto Cultura Maori não podemos deixar de falar sobre: "HAKA" - Haka é uma composição tocada por muitos instrumentos: mãos, pés, pernas, corpo, voz, a língua, os olhos e todos desempenham sua parte na mistura em conjunto para transmitir na sua plenitude, o desafio, exultando, desafiando ou desprezando as palavras. É disciplinado, ainda emocionado. Mais do que qualquer outro aspecto da cultura Maori, esta dança complexa é uma expressão da paixão, vigor e identidade da raça. É no que é melhor, verdadeiramente, uma mensagem da alma expressa por palavras e postura. Atualmente o Haka é conhecido mundialmente pela performance de intimidação no início dos jogos de Rugby da seleção da Nova Zelândia (All Blacks), que costuma antes de seus jogos executar uma haka específica chamada Ka Mate. Antes da dança, o chefe que conduz a dança grita aos companheiros um refrão de incitamento, coisa que no caso dos All Blacks é feita pelo jogador de sangue maori mais velho, não sendo este necessariamente capitão da equipe. As palavras são utilizadas não só para incitar quem está realizando a dança, mas também para recordar-se o comportamento correto durante a mesma. Muitas vezes o tom utilizado para gritar o refrão é o mesmo utilizado no curso de toda a exibição, ou seja, quanto mais agressivo, feroz e brutal, mais vai incentivar o grupo e intimidar o adversário.


A "Ka Mate" começa com uma série de cinco instruções preparatórias, gritadas pelo líder:

Líder: Ringa pakia! Coloquem as mãos contra as coxas!

_______Uma tiraha! Estufem o peito!

_______Turi whatia! Dobrem os joelhos!

_______Hope whai ake! Façam o mesmo com o quadril!

_______Waewae takahia kia kino! Batam os pés o mais forte que puderem!

Líder: Ka mate, ka mate! É a morte, é a morte!
 
Time: Ka ora É a vida! (ou "Eu vivo!")

Líder: Ka mate, ka mate! É a morte, é a morte!

Time: Ka ora É a vida!

Todos: Tēnei te tangata pūhuruhuru! Este é o homem peludo...

________Nāna i tiki mai whakawhiti te rā! ...Que fez com que o sol brilhasse novamente para mim !

________Upane...Upane! Suba a escada, suba a escada !

________Upane Kaupane! Suba até o topo!

________Whiti te rā! O sol brilha!

Uma outra HAKA . . .
 


Espero que tenham gostado, até a próxima!